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novidades do site

dezembro / 2006

Do gramofone ao bluetooth

Eduardo Baptista

No dia primeiro de agosto de 1914, sir Ernest Shacketon partia de Londres com seu navio Endurance rumo ao Atlântico Sul, buscando resgatar o prestígio da Inglaterra perdido para a Noruega quando o navegador Roald Amundsen conquistara pela primeira vez o continente gelado da Antártida. Como isso já havia sido feito, Shackleton pretendia agora realizar a primeira travessia de lado a lado do continente, "a última grande expedição polar que ainda resta por fazer" conforme disse à época.

O navio seguia viagem carregado de víveres, mantimentos, diversos instrumentos e mais de 60 cães puxadores de trenó. Para os momentos de lazer da tripulação, levava também 5.000 agulhas de costura. Não, não destinavam-se a eventuais remendos nas velas! Acontece que, ao fazer as encomendas antes do navio zarpar, o encarregado de preparar a lista havia esquecido de especificar que eram agulhas "de gramofone". Só depois, em pleno Atlântico, é que descobriu-se que tinham de reserva 5.000 agulhas de costura e um pacotinho de agulhas de gramofone...

Conclusão: os momentos musicais passaram a ser racionados - naquela época, as agulhas gastavam-se rapidamente no atrito com o disco e poucas canções após já tinham que ser descartadas. No mundo dessa época, contava-se nos dedos de uma mão os aparelhos relacionados com som & imagem existentes: o gramofone, a máquina fotográfica, o rádio, o telefone...

Muitas e muitas décadas depois, quando as primeiras camcorders surgiram unindo câmera e gravador em uma única peça, já havia muito mais aparelhos de áudio e vídeo, além de computadores. Aliás, microcomputadores e suas barulhentas impressoras de agulhas... Mas as escolhas ainda eram poucas: o som estéreo, os joguinhos eletrônicos portáteis, o videogame de console...

Poucos podiam imaginar no entanto a quantidade de equipamentos high tech que estariam décadas depois à nossa volta. Os notebooks encolheram em preço, em tamanho e aumentaram em capacidade, conversando em redes sem fio espalhadas por quase toda a cidade. PDAs passaram a executar funções antes restritas aos celulares, além de navegarem na Internet. Por sua vez, os celulares agora navegam na Internet, recebem e-mails, fazem fotos, gravam vídeo, editam arquivos dos micros, além de fazerem o papel de rádio FM e diversas outras funções, tornando-se quase um canivete Swiss Army: calculadora, agenda, calendário, trocador de mensagens, jogos...

Alguns incorporam recursos dos mp3 players, outro tipo de equipamento que explodiu no mercado. Enquanto a Apple coloca no mercado um iPod com disco de 80Gb, capacidade maior do que muitos laptops e mesmo micros de mesa, tende a focar energias no mercado do tocador, em detrimento do desenvolvimento de novas versões do seu sistema operacional Mac/OS. Alguns tocadores de áudio também exibem fotos e vídeo, além de atuarem como pen drive, entre outras funções. E, por falar nisso, estes pequenos dispositivos de armazenamento já conseguem guardar 8Gb de informação - por enquanto. Sistemas de áudio sem fio para home theater são capazes de armazenar o conteúdo de mais de 700 CDs em um disco rígido. Que, aliás, está presente também, em miniatura, em muitas câmeras de vídeo do segmento consumidor. Consoles de videogame trazem agora resolução HD utilizando discos de laser azul, como o Playstation 3 com o Blu-ray. E guia de ruas, como o serviço Co-piloto da Vivo chegam aos celulares, utilizando a tecnologia GPS.

A lista pode ainda ser extendida com os minúsculos fones de ouvido sem fio (tecnologia bluetooth), os telefones VOIP e as telas de LCD, plasma e retroprojeção - prevendo-se no horizonte novas variantes, como OLED (já há protótipos em tamanhos similares às de LCD) e laser. Projetores de todos os tipos e tamanhos são lançados constantemente. E, finalmente, os diversos formatos digitais de vídeo, abrangendo, para citar só o segmento consumidor, Mini-DV, DVDCAM, HDD e HDV.

Diante de tantas possibilidades e com tantas ferramentas à mão, o consumidor pode-se sentir perdido, bem distante do sentimento reinante a bordo do Endurance em relação às opções dos equipamentos de que dispunham naquela época. Mas basta pensar nesses equipamentos como um grande conjunto de ferramentas muito úteis, dentro de uma grande maleta. Não é qualquer ferramenta que serve para qualquer uso. Assim, o procedimento correto é, antes de abrir essa maleta, saber qual a nossa real necessidade, para que escolhamos a melhor ferramenta possível em custo x benefício para aquela determinada situação.

Em videoprodução, os formatos HDV, MIni-DV e os demais citados tem, cada qual, seu uso específico, suas vantagens e desvantagens. O que tem que ser feito é estudar e analisar as características de cada um antes de se adquirir determinado modelo ou formato de câmera.

Hoje, temos mais trabalho envolvido nas escolhas do que décadas atrás, mas, por outro lado, somos muito melhor acessorados pela tecnologia do que naquela época.

novembro / 2006

HDV não é Mini-DV

Eduardo Baptista

O formato Mini-DV, membro mais famoso do grupo de formatos DV (Mini-DV, DVCAM, DVCPRO e Digital-8, este último já descontinuado) fez sua estréia na década de 90. Na época, predominavam ainda no segmento profissional os formatos analógicos (com alguns já digitais em uso). Nos segmentos semi-profissional e doméstico (consumidor), o analógico reinava absoluto.

A chegada em 1.995 do Mini-DV no segmento semi-profissional, com a DCR-VX1000 da Sony, mostrou que o digital vinha substituir com um rol imenso de vantagens os formatos analógicos em uso nesse segmento, S-VHS e Hi8, além, em menor participação, do básico VHS. A partir daí, pouco a pouco o leque de utilização do Mini-DV foi-se expandindo para os dois lados, ou seja, para o segmento consumidor, com câmeras mais simples e baratas, e para o segmento profissional, em gravações onde era impraticável o uso das pesadas câmeras Betacam, como em alguns esportes radicais.

O suporte necessário para o trabalho com o novo formato surgiu rapidamente, com ofertas de placas de edição e programas. As estações de edição no entanto ainda não eram capazes de gravar discos ópticos do tipo DVD, e, após a edição (muitas vezes ainda realizada no modo linear) uma fita analógica era tudo o que se tinha. Com o passar dos anos, os micros evoluíram, surgiram os discos regraváveis DVD e o próprio DVD popularizou-se através dos players espalhados pelas residências. O consumidor, cliente dos profissionais de eventos, passou então a exigir esse novo tipo de mídia, em detrimento do velho VHS.

O resultado final desse processo é o que todos hoje conhecemos: o Mini-DV (em maior escala) e os DVCPRO / DVCAM (em menor) são utilizados largamente, do segmento doméstico ao semi-profissional, com incursões constantes em algumas situações no âmbito profissional. E agora o mesmo está ocorrendo com o formato HDV. Mas... será mesmo?

A história está-se repetindo, mas somente em parte. Algumas variáveis mudaram, pois as características de forma de utilização do HDV são diferentes das características da forma de utilização do Mini-DV à época. O sinal HDV é muito mais comprimido do que o Mini-DV, já que ocupa o mesmo espaço na fita, porém com uma resolução muito maior. O feito foi obtido através do uso do padrão de compressão MPEG2. No entanto, diferentemente do padrão de compressão DV, o padrão de compressão MPEG2 exige muito mais processamento do computador para ser trabalhado. O processo de edição exige a montagem e remontagem dos quadros originais da imagem, suprimidos durante o processo de compressão. Para formatos que utilizam o MPEG2 voltados para o segmento consumidor (como o DVDCAM por exemplo) isso resulta em perda de precisão nos cortes, entre outros problemas. Para o HDV, poderosos plug-ins (a maioria já incorporados às versões comercializadas dos programas mais conhecidos de edição) realizam com precisão a tarefa, à custa, no entanto, de ligeira degradação na imagem, perceptível à medida que o mesmo conteúdo é editado e reeditado.

O trabalho na ilha de edição exige muita capacidade de processamento do micro e também muita memória RAM. Se o usuário passar por esses problemas vai deparar-se com a dificuldade final: onde gravar o conteúdo em alta-definição editado? A única saída é "devolvê-lo" para a câmera efetuando a gravação em fita, pois os discos de laser azul Blu-ray / HD-DVD recém saídos do forno ainda travam batalha entre si para se estabelecer no mercado. E mais: hoje já é possível adquirir (com alguma dificuldade) um desses gravadores, mas... que público os possui em suas casas, como ocorre com os players de DVD? Seguindo adiante nessa análise, ainda que os tivessem, seria necessário que tivessem também televisores capazes de exibir efetivamente as mais de 1.000 linhas de resolução da imagem HD.

O quadro vai mudar sim, com o passar dos anos (e auxiliado pela HDTV), mas a expansão real do HDV para esse público vai ser diferente do que foi a do Mini-DV. Há um descompasso, "ajudado" também pela demora na implantação da HDTV no país e pelo alto custo desses equipamentos. Assim, o HDV encontra espaço hoje para penetrar com mais facilidade somente em determinados segmentos ou nichos específicos de mercado. Assim por exemplo, alguns usuários domésticos com TVs HD, podem optar por utilizar o formato para exibir suas imagens, como alguns faziam com o 8mm e Hi8 antigamente - conectando a câmera diretamente ao televisor. Para o produtor de eventos, pode valer a pena capturar imagens em HD e vender ao cliente hoje o mesmo conteúdo em  SD (DVD comum), fazendo a troca para HD (mediante pagamento complementar) no futuro. Ou então este produtor pode considerar o custo / benefício de trabalhar com uma câmera HDV que custe menos do que uma câmera Mini-DV topo de linha, já que suas imagens são equivalentes. Outros segmentos, como o de animação e efeitos, vêem no formato uma forma de abrir possibilidades nos processos de edição desse tipo de conteúdo. E finalmente o pessoal do cinema, de olho na facilidade de transferir para película um conteúdo com maior qualidade sem necessidade de ajustes de frame rate - muitos equipamentos já fazem a captura em 24qps.

Isso tudo mostra que o HDV se expande de maneira diferente do que se expandiu o Mini-DV e que uma análise prévia ainda é necessária no momento, antes de se fazer a opção pelo formato.

outubro / 2006

AVCHD: alta definição chega às câmeras domésticas

Eduardo Baptista

O DVD-Vídeo chegou nas prateleiras em 1997 e durante alguns anos foi pouco a pouco superando em vendas as fitas VHS, até dominar quase que completamente o mercado. As locadoras timidamente ofereciam um pequeno espaço para os poucos títulos disponíveis e ainda muitas vezes ofereciam o aluguel do player para que seus usuários conhecessem a novidade. E o mercado pouco a pouco vislumbra no horizonte uma nova mudança de cenário, onde agora o DVD-Vídeo passaria a ocupar o papel da já quase extinta fita VHS. Falamos dos novos discos de alta definição Blu-ray e HD-DVD, cujos players começaram a ser vendidos pela Philips e Sony (Blu-ray) e Toshiba (HD-DVD).

Esses novos discos, capazes de armazenar material em alta definição, utilizam uma versão melhorada do padrão MPEG4 - ao invés do MPEG2 do DVD-Vídeo. Mais flexível, eficiente e econômico em taxas de transmissão de bits, o MPEG4 é capaz de armazenar e trabalhar bem com a quantidade de dados exigida pelos formatos HD. A versão em questão é o AVC - Advanced Video Coding - ou H.264 ou ainda MPEG4 Part-10.

O AVC / H.264 é também o padrão de codificação do sistema HDTV, o ISDB-T, a ser adotado no Brasil (o padrão de modulação escolhido, o japonês ISDB, utiliza originalmente compressão MPEG2).

E é também utilizando AVC / H.264 para criar sinais HDV em discos DVD graváveis que Sony e Panasonic lançaram o formato AVCHD. Como cada vez mais e mais países entram na era HD com transmissões desse tipo e cada vez mais pessoas nesses países compram TVs HD, essas empresas visualizaram a exploração de um nicho de mercado cada vez maior: o dos usuários domésticos que querem ter também suas imagens familiares exibidas em HD. Esse foi também o objetivo inicial da criação do formato HDV (posteriormente extendido ao segmento semi-profissional), mas o AVCHD é voltado para o usuário alheio a operações mais complexas do que conectar sua câmera ao televisor e desfrutar das imagens HD em sua sala. Assim, ele tem um paralelo com as câmeras atuais que gravam em discos DVD de 8cm, também voltadas para o mesmo tipo de público.

O MPEG4 comprime ainda mais as imagens do que o MPEG2, e se este já apresenta dificuldades para edição (contornadas com praticamente 100% de êxito somente no formato HDV), o novo formato parece destinado a cumprir papel prioritariamente de exibição de imagens, função onde se sai muito bem aliando qualidade a pouco volume de informação. Isso sugere o motivo do lançamento do formato AVCHD para câmeras de disco óptico, voltadas para um público que deseja assistir rapidamente o material gravado, sem editá-lo, conectando a própria câmera ao televisor (ou utilizando um futuro player HD que aceite esse formato, possivelmente os players das mídias HD-DVD / Blu-ray).

O cenário, enfim, vai sendo preparado para o upgrade SD - HD, o que no entanto não deve ocorrer em um espaço curto de tempo.

setembro / 2006

FazendoVídeo versão 3.0

Eduardo Baptista

No final de 2004 o site FazendoVídeo apresentava sua primeira grande reformulação, com uma reforma gráfica acompanhada da estréia de novas seções, como a do Editorial e a de Eventos. Logo em seguida viria a página de Roteiros de Pesquisa.

Agora, menos de 2 anos após, o FazendoVídeo sofre sua segunda reformulação, ganhando uma nova "cara", mais moderna e mais "light", com navegação facilitada e disponibilizando, pela primeira vez, o recurso de pesquisa interna de conteúdo via botão Search.

O site foi inteiramente reprogramado: o conteúdo original foi mantido, mas a apresentação tornou-se mais rápida e ágil. A identificação visual de algumas páginas mudou, visando a padronização de fontes, cores e menus.

Um novo logotipo foi desenhado e os índices separados por letra inicial desapareceram com a nova estrutura. O menu foi reorganizado para facilitar a consulta a partir de qualquer página do site.

O objetivo do site no entanto está mantido: facilitar o acesso a informações técnicas sobre videoprodução semi-profissional.

junho / 2006

Imagens antigas: da foto para o vídeo

Eduardo Baptista

Todo mundo tem em casa, na estante da sala, no armário do documentos ou esquecidas em alguma gaveta do quarto: fotos antigas da família. Espalhadas, arrumadas em envelopes ou arquivadas em caixas ou álbuns, trazem geralmente sensações agradáveis a cada nova arrumação da casa. Mas, talvez, você nunca tenha pensado que pudesse compartilhar essas lembranças com seus amigos e sua família, de uma forma atraente e divertida: gravá-las em um vídeo. E, mais do que isso, ao invés de registrar somente as imagens das fotos, criar um programa interessante que, além dessas imagens, trouxesse opiniões, lembranças e depoimentos das pessoas envolvidas.

Um vídeo que pode ser feito em casa, nas horas vagas do trabalho, com os recursos disponíveis, desde que se tenha à mão uma câmera e um micro para edição. Não há necessidade de grandes investimentos: afinal, seu objetivo é familiar, não a comercialização ou a qualidade técnica impecável.

Para começar, é claro, temos que separar as fotos. Não se preocupe com seus diferentes tamanhos, separe tanto aquela pequena (porém significativa) foto 3x4 do seu avô quanto aquela ampliação grande com toda a turma da colação de grau. A preocupação aqui deverá ser o tema da sessão de fotos: relembrar toda a família, cronologicamente, ou então destacar apenas um dos ramos da árvore genealógica, ou então acompanhar somente determinada pessoa, desde as primeiras fotos até hoje, ou ainda concentrar-se em algum evento importante, como um casamento antigo e os personagens envolvidos.... as possibilidades são muitas.

Separadas as fotos, o próximo passo é ordená-las, como se fôssemos contar uma história utilizando-as como ilustração. Feito isso, é hora de montar os equipamentos necessários. Em primeiro lugar, é altamente aconselhável o uso de um tripé, para colocar a câmera e apontá-la para as fotos. Aqui, algumas opções: as fotos podem ser colocadas sobre uma mesa, e, com o tripé aberto, incliná-lo em direção à mesma, de forma que duas de suas pernas encostem na mesa e a terceira fique sem apoio, com a câmera apontando para baixo. Embora aparente instabilidade, é um truque que funciona. Outra opção é colocar as fotos em um suporte para letras de música ou mesmo improvisar com livros algo parecido sobre uma mesa, perto de sua borda. O importante é, em todos os casos, que a câmera aponte sempre para a foto de maneira perpendicular à sua superfície, para evitar distorções na imagem.

A seguir, a iluminação: sempre atingindo a superfície da foto de maneira oblíqua, para evitar reflexos. Se possível, use duas fontes de luz, uma de cada lado da foto, inclinadas em ângulo de 45 graus cada uma em relação à superfície da foto. Neste tipo de trabalho, até simples abajoures funcionam, basta efetuar o balanceamento do branco na câmera. Ou até mesmo não fazê-lo: a tonalidade amarelada da luz incandescente pode ser escolhida para significar antiguidade, se for desejada essa sensação ou esta abordagem estética. O enquadramento é importante, facilitado pela caracterísica de focagem macro (com o zoom totalmente em Wide) existente na maioria das câmeras. Dependendo do tamanho da foto, é possível utilizar um pouco de ajuste Tele no zoom e "passear" pela foto, sem a necessidade de mover nem a câmera nem o tripé - estamos supondo um trabalho doméstico e tentando mostrar que pode ser bem feito até mesmo com o mínimo de recursos. Para se conseguir isto, basta deslocar a foto para os lados, entre uma tomada e outra, e/ou ajustar o zoom.

Grave foto por foto, mantendo a câmera registrando a imagem por alguns segundos - o controle remoto ajuda a evitar trepidação no momento de ligar e desligar a câmera. Imagine durante esse momento o que se comentaria sobre a foto, para calcular aproximadamente o tempo dedicado a cada uma. Cartazes com dizeres, datas, comentários, ingressos utilizados, folhetos, etc.., podem enriquecer o trabalho, acrescidos entre as fotos, desde que bem legíveis.

Terminada a captura, é hora de levar o trabalho para o micro. Lembre-se, seu trabalho não será julgado por especialistas da área!! Como foi dito, o objetivo aqui é bem diferente... O áudio pode ser criado de várias maneiras: com músicas antigas, da época, ou atuais, vindas das mais diversas fontes, CDs, fitas cassete antigas, discos antigos ou Internet - por ser um trabalho para uso doméstico, não há necessidade de preocupar-se com direitos autorais das músicas. É interessante também trazer algumas pessoas envolvidas para comentar as fotos - ou levá-las até elas e gravar seus comentários ao olhar algumas fotos. Como gravador, pode ser utilizada a própria câmera - a objetiva pode até permanecer tampada. Assim, todo o material ficará reunido em uma só fita, facilitando ainda mais a captura para o micro. Não é necessário gravar depoimentos longos: somente alguns trechos pequenos ou frases serão aproveitados na edição, pois o objetivo é que o resultado final fique mais parecido com um videoclipe do que com um documentário, ou então mais parecido com um vídeo institucional com 10 a 15 minutos no máximo. E, no momento da autoração, é bom gravar mais de uma cópia do DVD gerado.

Você perceberá como será divertido e gratificante, após ocupar um feriado ou final de semana dedicado a esse trabalho, ver seus "telespectadores" divertindo-se encantados com essas lembranças. É possível sim, dar vida nova àqueles álbuns e fotos espalhadas raramente vistas, exibindo-as no aparelho de TV da sala. Bom trabalho! 

maio / 2006

A televisão do futuro - próximo

Eduardo Baptista

Não é algo que esteja 10 anos adiante, mas não é para este ano e talvez não para o próximo. Mas é algo que vai mudar a forma de ver e fazer televisão. A frase, dita por Mike LaJoie, da Time Warner, é o prenúncio de grandes mudanças que estão por vir na estrutura atual de funcionamento das TVs. Em resumo, a TV vai-se tornar cada vez mais parecida com o que é hoje a Internet: escolhe-se o que se quer ver, quando se quer ver e onde se quer ver. Isso representa o fim das grades de programação das grandes emissoras, que, aliás, já começaram a poder ser, pelo menos do ponto de vista do expectador, virtualmente modificadas de acordo com sua vontade, com os gravadores de mesa de vídeo, que podem armazenar em seus HDs horas e horas de programação.

Outras facilidades apontam na mesma direção, como os DVRs (Digital Video Recorders), o já conhecido pay-per-view e o video-on-demand. Ou seja, é o expectador que escolhe o que quer ver e não a emissora de TV. A radicalização desse processo é o fim dos canais de TV e o surgimento de uma TV conectada à rede onde, através de um endereço IP o assinante recebe a programação que deseja, nos horários que melhor lhe convier. E, claro, anúncios também: percebendo a grande oportunidade de atingir com enorme sucesso públicos altamente segmentados, prevê-se o envio de propaganda personalizada a esses assinantes.

Mas, mais do que isso tudo, a TV do futuro (já não tão distante), além de ser mais interativa e ter qualidade de imagem melhor (a novidade do momento são os protótipos de TVs a laser), permitirá, com a entrega on-line de conteúdo, a abertura de mercado de trabalho para inúmeras pequenas produtoras. Haverá uma demanda grande por conteúdo, que não dependerá mais de ser ou não capaz de atrair milhares de ouvintes, na suposição de que uma parcela destes estejam interessados nos anúncios dos patrocinadores. Ao invés disso, o conteúdo, ainda que entregue junto com a mensagem publicitária, estará sendo feito diretamente à pessoa interessada.

Desta forma, assim como a Internet propiciou que pessoas façam sozinhas suas home pages, a TV do futuro permitirá que videomakers criem também, com poucos recursos, conteúdos destinados a esse público segmentado. E, em um segmento um pouco acima, abrirá mercado para as citadas produtoras, hoje restritas, com raras exceções, a ocupar alguns horários ociosos na grade das emissoras, ou a serem veiculadas em não muitos programas da TV a cabo.

abril / 2006

Digital e analógico

Eduardo Baptista

Nosso mundo é analógico, não digital. Os números foram criados pelo Homem na tentativa de quantificar as grandezas que estavam ao redor dele. De uma maneira nunca exata, porém com maior ou menor precisão, tornou-se assim possível registrar diversos fatos do cotidiano. A altura de uma pessoa, o quanto choveu em um determinado dia e o peso da farinha que vai no pão: através dos números e seus dígitos anotamos dados que de certa forma são cópias de informações que estão na natureza, que fazem parte do dia a dia de nossas vidas.

A outra forma de se fazer "cópias" dessas informações, sem usar números, é através da analogia: uma vara de madeira com exatamente a mesma altura dessa pessoa, um vaso contendo a água despejada pela chuva exatamente acima do mesmo e um punhado de areia que equilibra exatamente a balança do outro lado são alguns desses exemplos.

Enquanto não haviam computadores a eletrônica era toda ela analógica: com seus resistores, capacitores e outros dispositivos fazia funcionar de rádios à valvula a toca discos de vinil - onde a agulha dava saltos exatamente proporcionais ao volume sonoro das ondas ali registradas.

Os computadores vieram facilitar - e muito - o nosso cotidiano. Trouxeram velocidade milhões de vezes maior do que a que os processos analógicos podiam atingir e também, entre outras coisas, a clonagem perfeita de seus registros - outro ponto fraco dos processos analógicos. Mas também trouxeram a imprecisão, contrapondo-se à exatidão das formas analógicas. Assim, as imagens digitais de hoje aproximam-se muito das imagens registradas em película, seja ela fotográfica ou cinematográfica - mas ainda não as igualam.

Só que, em muitas aplicações, o que "falta" para igualar ou mesmo superar a qualidade dos registros analógicos é muito pouco, muitas vezes imperceptível ao consumidor comum desses produtos. Da mesma forma que alguns percebem nuances sutis em discos de vinil e amplificadores valvulados, não observadas nos atuais equipamentos de áudio em uso, outros fazem questão do cinema tradicional em película e outros ainda são amantes da fotografia revelada em banhos químicos.

Aqui há lugar para todo mundo, e, particularmente, considero que os riscos, as constantes sujeiras e as flutuações na projeção tradicional não compensam a limpeza e a estabilidade da imagem digital, como já é possível comprovar durante a apresentação dos comerciais que antecedem os filmes em muitas salas em nosso país, projetados em diferentes equipamentos digitais de diferentes fabricantes (Rain Networks e TeleImage). Em diversas salas o próprio filme também é às vezes apresentado nesse formato, embora a esmagadora maioria do público nem se dê conta. Aliás, para esse grande público o que importa mesmo é a qualidade do filme, do roteiro, da direção e das interpretações.

A qualidade do formato de vídeo digital vai com o tempo igualar e superar o registro analógico em película em todas as suas fases, desde a captação até a apresentação, seja em salas de exibição ou no televisor doméstico. O mundo continuará sendo analógico, mas mudaremos em definitivo a forma de enxergá-lo, para melhor, através do digital.

março / 2006

CRT, LCD, plasma

Eduardo Baptista

Com o aumento no calor das discussões políticas e comerciais para a escolha do padrão de TV digital a ser adotado no país, termos como "alta definição" e "HDTV" aproximaram-se do telespectador comum em sua casa, que passou a questionar e considerar a compra das novas e a cada dia mais atrativas telas planas, que enfeitam as vitrines das lojas de eletrônicos dos shoppings. Basta entrar em uma dessas lojas para ver, lado a lado, TVs de plasma, LCD, RPTV e as tradicionais CRTs funcionando lado a lado. Em algumas dessas TVs, pode-se ver conectado um aparelho (não vendido) que emite sinais de imagens em alta definição para fins de demonstração. A comparação visual, feita ali no momento, dentro das lojas, é algo subjetiva: depende de inúmeros fatores aleatórios, como ajustes individuais de cada aparelho, eventuais defeitos da peça no mostruário, o tamanho da tela, a sua disposição em relação à iluminação do local, o conteúdo que está sendo exibido no momento, o tipo de sinal que alimenta o aparelho, as conexões dos plugs de imagem e a qualidade dos cabos utilizados além, naturalmente, do posicionamento do próprio expectador - sua distância à tela, sua localização lateral ou frontal, etc...

Considerando-se somente os tipos plasma / LCD e CRT, se descontarmos todos esses fatores e se além disso pudermos ter, lado a lado, os melhores representantes de cada uma dessas tecnologias (não necessariamente no formato "aparelho de televisão") a conclusão aponta em primeiro lugar para a melhor qualidade da imagem na tecnologia CRT, vindo a seguir, com empate técnico, plasma e LCD. Não é a toa que CRTs são utilizados onde precisão e perfeição das imagens são requisitos imprescindíveis, como aplicações médicas, militares, aeronáuticas, etc... E também nas emissoras e produtoras de TV como tela de referência para calibragem das imagens, sem falar em aplicações de cinema como por exemplo o ajuste de colorimetria no processamento digital de películas.

O que se observa nesse panorama é a predominância de alguns tipos em determinados segmentos.

Os do tipo plasma / LCD, melhorados dia a dia com novos modelos, empatam em qualidade técnica em aplicações domésticas como home theather, onde o diferencial passa a ser seus preços - o do plasma vem caindo mês a mês. Nesse segmento, muitos modelos de CRT e RPTV apresentam às vezes imagens melhores do que os de tela plana, mas, volumosos e pesados e com design ultrapassado, perdem atrativos para a maioria do público.

No segmento de produção profissional é o LCD que tenta ganhar espaço em relação aos CRTs quando se fala em monitores de referência de imagem - aqui o plasma não aparece. Já utilizados nessas empresas largamente em muitas aplicações que exigem somente o monitoramento do enquadramento da imagem, o LCD ganha pelo menor tamanho, pela confiabilidade, pelo pouco aquecimento, pela inexistência do problema da cintilação (que cansa a vista em visualizações por longo tempo) e por outras vantagens decorrentes de sua construção mais simples. O pequeno viewfinder LCD é extremamente comum nas câmeras de vídeo. Por outro lado, a calibragem de cor e o problema do arrastamento das imagens que se movem rapidamente tornam atualmente o CRT insuperável, embora inovações tecnológicas surjam a cada dia para tentar minimizar esses problemas.

A tendência, no entanto, com o passar dos anos e o desenvolvimento técnico, aponta para os LCDs dominando as TVs e produtoras nos diversos trabalhos envolvidos com o sinal de vídeo. E, no segmento doméstico, plasma e LCD ainda empatados. Não durante muito tempo porém: como tudo muda, o futuro poderá trazer outros representantes para esse jogo, como as telas OLED (Organic Light-Emitting Diode), as LCoS (Liquid Crystal on Silicon), as EL (Electroluminescent), hoje ainda restritas a poucas aplicações, como PDAs e painéis de carros por exemplo.

fevereiro / 2006

5 anos de FazendoVídeo

Eduardo Baptista

O site FazendoVídeo comemora 5 anos no ar. Em fevereiro de 2001 surgia com o propósito de ser um simples repositório de informações técnicas sobre vídeo semi-profissional, daí seu primeiro nome na época, "Videotec". Havia uma carência muito grande de informações deste tipo no país, disponibilizada de modo restrito em alguns livros e poucas publicações, com presença quase nula na Internet.

Um ano depois, já com o novo nome "FazendoVídeo" (mais comunicativo) seu conteúdo tinha-se ampliado bastante, tendo sido acrescentadas diversas dicas, ítens técnicos e uma seção nova, de notícias, com o objetivo de destacar câmeras e produtos com características inovadoras ou que se destacassem no mercado.

A aceitação positiva dos leitores, manifestada através de inúmeros comentários apoiando a iniciativa fez perceber a importância da divulgação do trabalho, principalmente em um meio que tornava possível levar informações técnicas específicas a locais remotos do país, onde sequer muitas vezes um simples manual podia ser encontrado.

O site ganhou com isso novo impulso e nos anos seguintes continou a crescer ainda mais, com atualizações a quase todo novo mês. A quantidade de ítens técnicos, com textos e ilustrações, saltou para mais de 660. Mais de 500 dicas e mais de 50 FAQs foram incluídos, abordando os tópicos principais do menu: som, luz, monitores, formatos, lentes, sinal de vídeo...

Enquanto era ampliado, novos índices, como o de Roteiros de Pesquisa e novas seções foram criadas, como a de Eventos, a de Artigos e a do Editorial. E também a página de Produtos & Serviços, relacionando as principais empresas do segmento de videoprodução, com links para seus sites. O site, com média de visitas/mês próxima de 30.000, recebeu até hoje também inúmeras consultas técnicas através de seu e-mail. Sofreu algumas reformulações gráficas nesse período e está para ser completamente redesenhado nos próximos meses, melhorando e atualizando sua apresentação através de um design mais bonito, moderno e eficiente.

Pretendemos continuar sempre crescendo, mantendo uma ferramenta que mostrou-se de grande utilidade no dia a dia do pessoal envolvido com videoprodução dos segmentos consumidor e semi-profissional. Visite nossa página comemorativa, clicando aqui.

janeiro / 2006

2006: tendências tecnológicas

Eduardo Baptista

O ano de 2005 mostrou a consolidação de algumas tendências na área de vídeo nos segmentos semi-profissional e consumidor e o surgimento de algumas inovações. Durante muitos anos, câmera de vídeo era sinônimo de cassetes de fita. Que, aliás, foram criados a partir dos rolos abertos utilizados na época no segmento profissional. Surgiu então o DVD e com ele os DVDs graváveis, que, em suas versões menores, de 8cm de diâmetro, passaram a equipar algumas câmeras do segmento consumidor. Este formato, o DVDCAM, é voltado para o usuário que quer algo prático e não deseja passar por etapas como edição e autoração: ao retornar de uma viagem, basta retirar o pequeno disco e colocá-lo no DVD player de seu home theater. Durante o ano surgiram novos modelos de câmeras neste formato e seu preço foi reduzido em relação aos modelos do ano anterior.

Outra mídia diferente da mídia fita é a dos cartões de memória: como sua capacidade ainda é baixa para seu preço, é encontrada nesses segmentos somente em versões de armazenamento restrito, utilizadas em câmeras simples e baratas que gravam em MPEG1, um formato tradicionalmente voltado para uso em Internet. Novos modelos tem surgido no entanto gravando em MPEG4. E em 2005 a JVC apresentou novos modelos de suas câmeras que utilizam outra tecnologia: a de miniaturas de hard disks, os HDD. Alguns removíveis da câmera, outros não, essas miniaturas, pouco maiores do que um selo postal, armazenam até 4Gb de dados.

No segmento semi-profissional o Mini-DV segue firme, juntamente com o mais recente HDV, que trouxe novos modelos de câmeras em 2005, atingindo também o topo do segmento consumidor. O HDV no entanto ainda possui uso restrito em nosso país: tem sido utilizado em algumas situações que pedem trabalhos específicos de pós-produção e em algumas outras experiências, mas não se tornará popular como o Mini-DV a curto ou médio prazos em função da nossa realidade. Primeiro pelo alto custo dos equipamentos para visualização em HD (TVs de plasma / LCD com resolução efetiva de HD), das câmeras e das estações de trabalho necessárias para manipulá-lo; segundo pelo processo moroso de definição e implantação da TV de alta definição no país.

Por outro lado, o HD ainda espera pela disputa Blu-ray x HD-DVD, a cada dia com novos lances. A maior capacidade do Blu-ray por exemplo pode ser ameaçada com o desenvolvimento do HD-DVD de 3 camadas, capaz de armazenar até 45Gb de dados (contra 50GB do Blu-ray de 2 camadas). Atualmente o HD-DVD oferece no máximo 30Gb, em camada dupla. Enquanto os gravadores e leitores dessas mídias não se popularizarem, não será possível distribuir conteúdo HD - a atual mídia, o DVD-Vídeo, não é adequado para este tipo de material.

E, diferentemente da clássica briga VHS x Betamax, que deu ao primeiro supremacia total durante mais de 20 anos, a batalha Blu-ray x HD-DVD poderá ainda terminar no vazio. Nos EUA a cada dia ganha mais mercado o antigo VOD (Video On Demand), o vídeo a cabo sob encomenda, agora em versão HD. Assinantes do serviço podem escolher e assistir filmes em alta definição, transmitidos diretamente a suas residências, sem terem que se deslocar a locadoras - e sem usar disco algum. Para complicar ainda mais o cenário, em 2006 será lançado o HVD - Holographic Versatile Disc, capaz de armazenar 200Gb de informação, quatro vezes mais do que o Blu-ray de 2 camadas. E em 2007 promete-se uma versão com 300Gb. Com custo muito alto, serão a princípio direcionados a grandes estúdios e emissoras em serviços broadcast. Mas não demorarão muito a se aproximar do mercado consumidor: isso tudo mostra que a era dos longos reinados das mídias encerrou-se realmente com o VHS.

Na área de captação de imagem o chip CMOS finalmente adquiriu maturidade, suplantando em alguns casos o conhecido CCD. Mais baratos e menores (o circuito de conversão analógico-digital é embutido dentro do próprio chip, em cada pixel), devem em 2006 tornarem-se mais presentes em novos lançamentos de câmeras.

Neste novo ano, essas tendências devem continuar a se consolidar, e os obstáculos (relativos a HD por exemplo) serem, aos poucos, superados.

Eduardo Baptista é o editor do site FazendoVídeo