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dezembro / 2005
Eduardo Baptista
Uma forma de aprender melhor a fotografar em vídeo é prestar atenção em programas e outros materiais feitos por profissionais. Embora não seja uma regra geral, aprende-se muito com a simples observação atenta desses trabalhos. Seriados, filmes, novelas, programas de entrevistas, etc... são excelentes fontes de aprendizado técnico.
Neste caso, evidentemente o tempo frente à TV / cinema está sendo dedicado ao aprendizado, não ao "consumo" propriamente dito do que está sendo exibido. Assim, não importa se é um anúncio, um vídeo institucional ou qualquer outro material, ainda que desinteressante sob o ponto de vista de um expectador comum. Mesmo programas mal feitos, com poucos recursos e pouca técnica podem servir de aprendizado: ao observar-se isto, podemos exercitar nossa mente à procura de soluções criativas, pensando como faríamos melhor se tivéssemos à disposição aqueles exatos recursos.
Porque fazer melhor nem sempre é sinônimo de possuir mais recursos e equipamentos, verbas e contratos: nossa história televisiva está repleta de exemplos onde haviam os recursos, porém faltou a criatividade e o talento para a inovação, sem perder o rumo proposto. No outro extremo, dos materiais considerados bem feitos, é possível aprender uma infinidade de coisas apenas como observador, muitas vezes até tentando "adivinhar" como determinada cena foi montada.
Que tipo de microfone está sendo utilizado, como foi efetuado tal movimento de câmera, como foi montado tal efeito.. E observar também o que é e o que não é usado, e como é usado. Por exemplo o uso excessivo do zoom, considerado amadorístico, quase não é encontrado em filmes. Ver um filme e reparar que passam-se vários e vários minutos até aparecer um movimento de zoom é aprender como fazer de modo diferente do que pensamos. Claro que, por outro lado, não existem regras fixas: dependendo da linguagem proposta para o trabalho, o uso excessivo de um recurso pode-se transformar de defeito em qualidade. O que é importante ressaltar é o desenvolvimento do instinto da observação: observar é aprender. Observar, analisar, criticar, colocar-se no lugar de quem fez daquela maneira, pensar como faríamos... seria da mesma forma? seria diferente? Não importa, ao chegar a este ponto o aprendizado já está feito. Precisamos aprender a pensar. E, para isso, a observação é um grande auxiliar nessa tarefa.
novembro / 2005
Eduardo Baptista
Se DVDs de filmes alugados na locadora são gravados em MPEG2, uma câmera que grava diretamente em um disco desse tipo produzirá imagens com a mesma qualidade?
Uma câmera no formato analógico Betacam SP terá imagem pior do que uma outra no formato digital Mini-DV?
Batatas fritas do Burguer King são melhores do que as do Mac Donnald's?
Dúvidas como essas muitas vezes podem levar a resultados errados, se analisadas com um olhar técnico menos abrangente. Até a imprensa não especializada comete deslizes, principalmente pela falta de conhecimento técnico dos assuntos que mostra: em uma reportagem sobre uma câmera de vídeo destinada ao público doméstico podia ser encontrada a informação de que o equipamento possuía conexão USB 2.0 ao invés da "antiga" FireWire, sugerindo ser esta ultrapassada...
A qualidade da imagem de uma câmera de vídeo depende não de um, mas de dezenas de fatores. Antes mesmo da imagem ser registrada pela câmera, desempenham papel importante vários elementos, entre eles a objetiva: mais ou menos luminosa, com maior ou menor diâmetro, com maior ou menor pureza óptica e precisão na montagem de seus elementos internos (uma objetiva é um conjunto de diversas lentes em uma só peça), com maior ou menor qualidade nos materiais empregados (vidro, cristal, plástico...), com maior ou menor "pedigree" (marcas renomadas pela excelência óptica dessas lentes, como as Leica Dicomar por exemplo), só para citar alguns ítens.
O local onde esta imagem é projetada dentro da câmera, o CCD (ou seu mais novo sabor, o CMOS) por sua vez possui uma gama enorme de ítens que contribuem para a qualidade da imagem: a começar pelo emprego de 1 ou 3 chips, pela quantidade de pixels presente, pelos pixels realmente aproveitados na imagem, pelo tamanho do chip (para chips com a mesma densidade de pixels, quanto maior melhor a imagem) e assim por diante...
Na leitura dos CCDs / CMOSs entra em cena toda a "parafernália" eletrônica espremida e embutida dentro das placas de circuito acomodadas no interior do equipamento. A qualidade desses componentes (hardware), somada à qualidade dos diversos softwares que ali são executados definem também parâmetros que se refletem na qualidade final da imagem. Só com esses elementos em mãos, ainda sem definir qual o formato que será utilizado para o registro da imagem capturada pela câmara, já é possível construir-se equipamentos que variam muito em qualidade geral, abrindo-se então um leque que vai levar dos grandes e pesados equipamentos profissionais às pequenas maravilhas de uso doméstico que cabem na palma da mão.
Essa imagem final, ainda no estado analógico (CCDs e CMOSs apenas "traduzem" a garota bebendo refrigerante em um sinal elétrico variável - analógico portanto) vai então sofrer o processo de amostragem (sampling) onde será digitalizado. Quanto mais amostras / segundo, maior a qualidade da imagem. Aliás, cor e luminosidade são amostrados separadamente, o que vai gerar diferentes tipos de formatos de vídeo quanto a este item: no Digital Betacam por exemplo, a quantidade de amostras de cor é o dobro da efetuada no Mini-DV. A seguir, este sinal, agora digital, já pode ser assim gravado, como ocorre no formato D1 por exemplo. Mas ocupa muito espaço - este é um formato destinado a projetos e usos especiais - assim é que o DVCPRO50 vai comprimí-lo 3,3 vezes e o Mini-DV, 5 vezes. Só então é feita a gravação no disco, na fita ou no cartão de memória...ahh, e também no mini hard disk, como nas JVC Everio.
Tudo isso explica a diferença de preço entre os equipamentos de captura de imagem, a diferença de tamanho e peso entre eles e os mais variados usos em que são empregados. Comparar câmeras é comparar tudo isso, não somente o formato empregado por elas.
E, a propósito, a qualidade dos DVDs alugados não está no formato (MPEG2), e sim no original (filme), quando comparado à imagem produzida pela pequena e singela câmera doméstica de 1 CCD/CMOS. Da mesma forma, o formato Betacam SP é empregado em câmeras profissionais e nem todas câmeras Mini-DV possuem os mesmos elementos (lentes por exemplo) ligados à qualidade da imagem. E, quando isso acontece.... bem, a questão passa então a ser meramente subjetiva, como comparar uma batata frita com outra.
outubro / 2005
Investigando opções para problemas
Eduardo Baptista
Os almanaques de jogos e curiosidades costumam ter, entre outros exercícios, o conhecido labirinto. Com um lápis ou caneta, segue-se o traçado através de diversos e intrincados "corredores", com curvas, entroncamentos e muitas "ruas sem saída". No entanto, sempre uma delas chegará a seu destino: a saída do labirinto, a resolução do problema. Em videoprodução, assim como em muitas outras áreas, podemos pensar também na existência frequente de labirintos nas tarefas do dia a dia. Na realidade, um labirinto um pouco diferente: com uma entrada e diversas saídas, todas chegando ao mesmo lugar.
Frequentemente nos deparamos com problemas a serem resolvidos; e também frequentemente, acabamos entrando por uma das "ruas" desse labirinto, à procura da saída, mas a saída parece nunca exatamente existir. Gastamos às vezes muito tempo nessa procura, insistindo sempre no mesmo caminho, apenas mudando uma coisa aqui, outra lá. Ficamos de certa maneira presos ao mesmo caminho escolhido inicialmente, apenas tentando solucionar algo na ponta do mesmo. E muitas dessas vezes o caminho ou terá uma saída muito complexa e trabalhosa ou mesmo acabará na famosa placa "rua sem saída", isso após tempo e energia dispendidos em movimentações quase sem sair-se do lugar de fato.
O que se pretende é propor para que mais de uma rota seja sempre considerada. Nesse nosso labirinto, várias rotas levam ao mesmo lugar, a saída, no entanto, uns mais facilmente do que outros. Tome-se por exemplo um conhecido problema, o do contraste entre luz e sombra. Uma pessoa sentada em uma mesa de um bar à beira da praia, sendo fotografada de modo a que o mar por trás dela componha o fundo da cena. A pessoa em questão está sob o telhado do bar. De duas uma: ou a pessoa ficará subexposta, ou o mar ao fundo superexposto.
A primeira alternativa é então desprezar a exposição correta para um desses elementos, normalmente o fundo, que ficará superexposto. Outra alternativa é apelar para o meio termo: fechando-se um pouco a íris, de modo a clarear o rosto da pessoa e escurecer o fundo. Nenhum dos dois agora está exposto de maneira ideal, mas pode ser uma situação aceitável. Por outro lado é possível voltar ao início do labirinto e tomar um caminho completamente diferente: desistir da idéia original, excluindo o fundo claro, deslocando a posição da câmera, de forma que uma parede interna do bar seja agora esse fundo. Ou então, subir o nível de iluminação da pessoa, com emprego de um refletor direcionado ao seu rosto. Ou ainda, se praticável, aguardar uma hora do dia onde esse contraste seja menor, ou pela posição do Sol - início, fim de dia - ou pela passagem de nuvens, se este for o caso. Pode-se ainda subir a câmera e enquadrar a pessoa de cima para baixo, outra forma de excluir o fundo claro. Ou colocar a pessoa sob o Sol e empregar um rebatedor para suavizar sombras excessivas. E o leitor certamente proporá algumas - muitas outras - soluções.
A iluminação para o efeito croma-key pode ser feita de diversas formas, com várias opções de posicionamento dos refletores, fundo e pessoa a ser gravada. A luz de câmera, ao invés de colocada exatametne sobre a mesma, pode ser deslocada lateralmente, com auxílio de um suporte, para conferir um pouco de profundidade ao rosto fotografado. O som pode ser captado de inúmeras formas. E assim, em vários outros ítens, o mesmo problema / solução se aplica: devemos ter fluidez de raciocínio para investigar rapidamente as várias opções frente a um problema, seus custos / benefícios, dificuldades de implementação e os resultados obtidos. Agindo assim, poderemos tornar o trabalho mais eficiente e com isso trazer como retorno uma maior qualidade final.
setembro / 2005
Eduardo Baptista
Uma conhecida estória - adaptada aqui para os tempos modernos - diz que se colocarmos o DVD de um filme no player de um home theater e apesar do som perfeito a imagem estiver sem cor e definição, será mais fácil aceitar isso do que se a imagem estiver perfeita porém o som não, com chiados e falhas diversas. Isso mostra que temos tendência a nos surpreendermos mais com um excelente som do que com uma excelente imagem.
No entanto, frequentemente - salvo na maioria dos trabalhos profissionais - o som costuma ser relegado a segundo plano. Essa situação pode ser percebida em trabalhos semi-profissionais e mais ainda no segmento consumidor quando se trata do registro do som através do microfone. O microfone da câmera é, neste caso, a pior opção a ser escolhida, ou seja, quando se pretende fazer um trabalho bem feito, bem editado e bem produzido, também o som se insere neste contexto. Conhecer os vários tipos de microfones que podem ser conectados à câmera, seus efeitos e limitações é um primeiro passo para melhorar a qualidade do áudio.
Não que o microfone da câmera seja ruim - ao contrário, geralmente é do tipo condensador, com alta fidelidade na captura dos sons. No entanto, excetuando-se a captura de notícias e documentários rápidos em que não há tempo nem condições de utilização de acessórios independentes para o áudio, o problema está na localização deste microfone, embutido ou fixado externamente à câmera. Isso significa estar geralmente longe da fonte sonora e traz uma série de consequências indesejáveis, como ruídos do ambiente ao redor, amplificação automática excessiva do volume para se obter um nível sonoro consistente (gain up) e perda da clareza e nitidez do som captado.
Utilizar o microfone correto da maneira correta é um aprendizado que traz, com o tempo, melhora significativa nesta parte dos trabalhos. Uma providência fundamental neste caso é o uso dos fones de ouvido para monitoramento. Só através deles é possível descobrir problemas como falhas na conexão dos cabos e evitar situações embaraçosas como perceber um áudio ruim somente no momento da edição. O FazendoVídeo traz uma série de dicas relativas à captação de áudio que podem fazer um trabalho "doméstico" ficar com "cara de profissional". E melhorar a qualidade de trabalhos semi-profissionais.
agosto / 2005
Eduardo Baptista
Há 10 anos atrás em uma visita a qualquer locadora de vídeo não encontraríamos um único DVD nas prateleiras. Somente no ano seguinte, em 1996, Philips, Sony, Matsushita, Toshiba e outras companhias introduziriam no mercado o revolucionário disco óptico que iria aposentar aos poucos a fita VHS. Visitas às locadoras nos anos seguintes mostrariam a movimentação nas prateleiras: cada vez mais espaço para DVDs, cada vez menos para as fitas. DVD-players, assim como celulares, há muito não são considerados artigos de luxo.
A evolução cada vez mais rápida da tecnologia faz aumentar mais e mais o acervo dos museus. Nessa época, há 10 anos atrás, estavam para nascer ainda as câmeras digitais: foi somente no final de 1995 que elas surgiram, com o formato Mini-DV e a VX1000 da Sony. O Mini-DV começou a ser desenhado em 1993, com a formação do consórcio HD Digital VCR, inicialmente com 10 empresas - em 1995 já contava com mais de 55 - que levaria ao lançamento do formato DV, ainda com o nome DVC (Digital Video Cassete), posteriormente mudado para DV (Digital Video).
Nesse mesmo ano a Panasonic fazia planos para o lançamento de uma câmera no formato DVCPRO, e no ano seguinte a Sony criaria o DVCAM. Até essa época no entanto, toda a edição de vídeo nos segmentos doméstico e semi-profissional era analógica. E, quase que exclusivamente, linear. Eram comuns anúncios de controladores de edição, dispositivos do tamanho de um teclado de micro de mesa que, efetivamente, controlavam VCRs (Video Cassete Recorders, os videocassetes): a fita original era inserida no VCR "A" e os pontos de in - out das cenas (HH:MM:SS) registrados no controlador, que acionava o PLAY, FF e RW do VCR "A" e também o PAUSE e REC do VCR "B". Nesse ano a JVC anunciava o controlador JX-ED11, cuja precisão no corte era de 12 quadros, para mais ou para menos... e a Sony o RM-E1000T, que podia armazenar até 99 cenas... O RM-E1000T possuía gerador de caracteres embutido, capaz de gerar até 24 caracteres por linha e 12 linhas por página.
Como o "assunto do dia" eram os controladores de edição, discutia-se muito termos hoje em dia aos poucos já sendo esquecidos, como "assembly edit" e "protocolos de edição" (LANC, Syncro edit, Control-L, Control-M, RS-422, RS-232, Infrared...). Na cadeia montada com os VCRs e o controlador, podiam ser inseridos diversos equipamentos extras, como mixers de vídeo, tituladores, SEGs (Special Effects Generator), mixers de áudio, TBCs (Time Base Corrector) ... Assim, era comum também a propaganda de fabricantes desses equipamentos, junto com dezenas de marcas e modelos de controladores de edição.
A Videonics comercializava o Edit Suite A/B roll por 700 dólares, um controlador de edição com jog/shuttle para controle dos VCRs, com um pequeno visor LCD onde era possível ver a EDL - Edit Decision List, a lista dos pontos de in - out sendo montada. Capaz de registrar até 250 marcações de cenas, permitia exportar a lista para um micro. Para esse produto portanto, o papel do micro era simplesmente de armazenador de dados...
A edição-não-linear já havia chegado ao público, mas de forma restrita, seja pela qualidade do material editado nos equipamentos mais simples, seja pelo preço, nos equipamentos onde a qualidade era melhor. Placas de edição eram vendidas isoladamente (Video Blaster RT300), assim como produtos que incluíam placa + software (Fast Video Machine, já com o Adobe Premiere em suas primeiras versões) e equipamentos completos, incluindo o micro (Avid Media Suite Pro), estes ainda muito caros no entanto para a época. Um sistema típico para edição não-linear de conteúdo VHS podia custar em torno de 5000 dólares... com HD de 1Gb (950 dólares).
As características dos micros da época, claro, eram muito diferentes das dos micros de hoje: a RT300 por exemplo exigia um micro 386 com no mínimo 33Mhz de velocidade de processador e 4Mb de RAM. A resolução de captura era 320 x 240 (qualidade VHS) e o playback na tela tinha que ser feito em uma janela menor: em full screen somente com menos de 30qps.... sem DVDs, as saídas mais utilizadas eram um prosaico CD-ROM para ser visto em outros micros ou a regravação em fita do conteúdo editado.
Além de armazenar logs de cenas e começar a editá-las, o micro foi durante algum tempo também utilizado para uma função intermediária: atuar como controlador de edição de VCRs, no lugar dos equipamentos de mesa mencionados acima: o Editizer 3.0 da TAO, para PC ou Macintosh, (sim, ainda se falava "Macintosh"...), podia controlar até 3 VCRs, rodava em Windows 3.1 e tinha o atrativo era poder armazenar centenas de logs de cenas...
Todas câmeras comercializadas nesse segmento eram analógicas (VHS, VHS-C, S-VHS, S-VHS-C, 8mm e Hi8), mas traziam já alguns efeitos digitais, como sobreposição de imagens, strobe digital, wipe digital...etc... O visor LCD, introduzido pela Sharp e sua inovadora Viewcam tornava-se mais comum: a nova linha Handycam Vision da Sony era anunciada com o atrativo de permitir o playback instantâneo dos vídeos gravados em um visor LCD colorido da câmera... A Canon fazia sucesso com seu sistema VL: sua câmera Hi8 L2 possuía lentes intercambiáveis (única no segmento até hoje a oferecer essa possibilidade, atualmente com a XL2) e um adaptador para uso das lentes Canon utilizadas em máquinas fotográficas.
Eram muito comuns anúncios de câmeras VHS: a Hitachi comercializava a VM3700A VHS para usuários domésticos por 800 dólares. Esses equipamentos, grandes, geralmente possuíam poucos e restritos controles: o zoom contava somente com 1 velocidade, às vezes 2 e raras vezes podia ser variável (comum em todas as câmeras hoje em dia). E muitos fabricantes de câmeras de vídeo dessa época já deixaram o mercado, alguns provenientes ainda da época do Super-8 ou fabricantes de outros equipamentos: Minolta, Ricoh, GE, Nikon, RCA, Quasar, Goldstar, Magnavox ...
Microfones sem fio já eram comercializados - a Azden anunciava o WR2-PRO, o primeiro receiver para câmera com 2 canais independentes de som, permitindo o uso de 2 microfones sem fio simultaneamente. Nessa época surgia a AG-456 da Panasonic, a S-VHS que junto com a M-9000 faria a festa dos profissionais de eventos. Enquanto a Hitachi lançava a VM-H81A no formato Hi8 com a função Optical-Link, que permitia ver as imagens gravadas colocando a câmera próxima à TV (via infravermelho), a Canon anunciava a pequena ES2000, a primeira câmera do segmento consumidor com zoom óptico de 20X utilizando OIS (Optical Image Stabilizer). E em muitas casas era comum o uso do adaptador para assistir fitas VHS-C nos VCRs VHS da sala, colocados ao lado da TV - o conceito Home Theater ainda estava para nascer.
Na NAB 1995, além do anúncio do DVCPRO da Panasonic e do Digital-S da JVC, ainda na fase de protótipos, enquanto a Videonics anunciava seu novo controlador de edição, o Edit Suite, a NewTek exibia o novo Toaster for Windows, uma caixa metálica com um visor LCD que podia ser conectada a monitores de vídeo para edição-não-linear, com 2 HDs removíveis de 1Gb cada. Exigindo um PC 386 para rodar, custava 10.000 dólares. E a Play mostrava o Trinity por 6.000 dólares, também um editor não-linear, feito para rodar no recém lançado Pentium... A Fast Electronics trazia um equipamento completo para edição (turnkey), o Video Machine, montado com um micro Compac. Discutia-se então, com esses lançamentos para PC Windows, se não seria o final do Toaster desenvolvido para a plataforma Amiga da Commodore.
Um mundo muito diferente de hoje, como será em 2015 e os ultrapassados formatos Mini-DV e HDV, com imagens gravadas nos antigos discos Blue-ray de duas camadas com somente 50Gb de espaço - um exagero para a época...
julho / 2005
Os "dialetos" dos filmes e vídeos
Eduardo Baptista
Ao ver as cenas de "Um Filme Falado", do cineasta português Manoel de Oliveira, é praticamente impossível não concluir-se estar assistindo a um tratado com uma série de exemplos do que não fazer em um filme. Porém, uma reflexão pode levar a uma conclusão diferente: levando-se em conta não ter sido o filme feito por alunos principiantes de um curso de cinema - sem ainda suficiente conhecimento técnico e estético da chamada sétima arte - só pode tratar-se de uma imitação proposital desse tipo de linguagem primitiva e repleta de "erros".
Outro exemplo: são diferentes as situações de alguém operar uma câmera sem saber controlar o foco, criando com isso uma imagem desfocada, e a do operador que a cria propositadamente, como um efeito dentro da narrativa. Cria-se assim um "dialeto", uma linguagem que pode ser única de um determinada obra, filme ou vídeo, ou de um conjunto de obras semelhantes. É assim que temos a estética do cinema americano blockbuster, tão diferente da utilizada na maioria dos filmes europeus. São exemplos de dois dialetos, cada qual com sua linguagem própria. E existem ainda mais dialetos, como o do próprio cinema americano não-blockbuster, o do cinema brasileiro, o do argentino, o do francês, o do italiano, o do japonês e tantos outros. O dialeto do filme publicitário e o do documentário. E na TV, do programa noticiário ao videoclipe, passando pelos programas de vendas e os de entrevistas.
Em cada uma dessas estéticas, existem regras, que pressupõe-se sejam obedecidas. Como o enquadramento seguindo a regra dos terços por exemplo, a da câmera nivelada e a imagem focada, como prescrevem estas e diversas outras dicas do FazendoVídeo. No entanto, não há impedimento algum para que algumas ou todas essas regras sejam propositadamente ignoradas. Do contrário, não teríamos o enquadramento inclinado (câmera dutch) criado por diretores alemães que foram trabalhar em Hollywood na década de 20, tão utilizado hoje em dia em programas no estilo MTV. Criamos assim, no dia a dia, novos dialetos, que vão sendo copiados - ou acabam esquecidos com o tempo. Um exemplo é a faixa horizontal inferior nas imagens de alguns programas da TV, mostrando continuamente uma legenda que informa qual o tema da matéria: mais um dialeto em meio às várias linguagens citadas acima. Pode-se ou não gostar dele, assim como ter-se preferências individuais em relação a este ou aquele dialeto. Filmes e vídeos são obras de arte, assim como a música e várias outras coisas em nossas vidas, como o desenho das formas externas de um novo modelo de carro.
O conceito de bom ou mau para obras de arte é um conceito subjetivo, depende unicamente da opinião pessoal de cada um. O fato de obras de arte não serem objetivas (como a discussão se a Terra é ou não redonda) faz a opinião e avaliação de um crítico valerem tanto quanto a opinião particular de qualquer um de nós. Trabalhos submetidos a festivais podem ser aprovados em uns e rejeitados em outros. Assim, o importante, acima de tudo, é fazer e acreditar no próprio trabalho, seja qual for a linguagem e o dialeto escolhidos. Para cada trabalho e cada linguagem escolhida, existirá sempre um percentual maior ou menor de simpatizantes, sejam eles quem forem. Ao criar um trabalho, vale perguntar para quem - que público - ele está sendo feito. A resposta a essa questão facilitará a escolha da linguagem a ser utilizada no trabalho, e, talvez, até a criação de um dialeto completamente novo.
junho / 2005
Idéias simples, grandes soluções
Eduardo Baptista
Um saco de pano recheado de areia no lugar de um tripé fixo. Uma manta grossa no chão, arrastada sobre um piso liso com um tripé em cima, no lugar de um carrinho dolly.
Antes de se caracterizar como improviso, é a necessidade do momento que muitas vezes nos leva a buscar soluções aparentemente estranhas, mas que podem salvar uma produção em alguns momentos difíceis. E claro, também podem viabilizar outras, melhorando bastante sua qualidade visual ainda que sem a perfeição que seria obtida com as ferramentas corretas, ditas "oficiais". Afinal, em um curto trecho do percurso do "carrinho" acima, ainda que limitado às condições especiais do local (piso), quem iria perceber (expectadores leigos) a diferença na imagem?
Assim por exemplo, na falta de um Prompter para leitura de textos pode ser construído um utilizando um microcomputador, um espelho e um vidro recoberto com o produto Insulfilm. O famoso "cabo Y" pode salvar algumas situações de conexões de cabos de som. Um closet repleto de roupas ou até mesmo o interior de um carro fechado constituem-se excelentes "estúdios" para o registro da voz em uma narração, sem os problemas da reverberação. Um filtro do tipo UV ou skylight pode ser montado na objetiva com a finalidade principal de protegê-la de danos causados por poeira, riscos e outros inconvenientes. Filtros do tipo rosca com encaixe defeituoso podem ser presos e soltos com maior facilidade se uma linha fina for enrolada e presa no final do percurso da rosca.
Meias femininas de nylon esticadas sobre a objetiva, vidros sobrepostos às lentes, coloridos e/ou pintados com as mais diversas técnicas produzem efeitos interessantes na imagem.
O isopor injetado que vem muitas vezes dentro da embalagem de fábrica da câmera e molda-se com perfeição ao formato da câmera pode ser cortado e adaptado para ser colocado dentro de uma maleta de transporte. Uma cadeira de rodas pode servir de carrinho dolly (além da manta citada) e um tripé pequeno, dobrado e recolhido, pode ser utilizado como estabilizador da câmera. Da mesma forma, esteiras rolantes ou alguns carrinhos novos de supermercado podem ser utilizados. O batimento do branco pode ser feito sobre a camiseta branca de uma pessoa ou até mesmo, em emergências, sobre uma folha de jornal clara sem cores. Um rolo de papel alumínio, um tubo de cola branca e tem-se um guarda-chuva refletor. E ainda diversos e conhecidos truques que, quando utilizados, permitem realizar uma determinada cena com custo muito mais baixo, utilizando para isso a sugestão do expectador. Como por exemplo gravar alguém curvando-se como que para entrar em um helicóptero e a seguir mostrar a cena de um aparelho decolando. Um ventilador para sugerir o vento das pás do aparelho, o som do motor acrescentado na edição e o enquadramento em close podem vender a idéia ao expectador sem ser necessário sequer uma viagem até algum heliporto. A idéia pode ser modificada, adaptada e melhorada inclusive para outras situações; trata-se aqui apenas de um exemplo rudimentar colocado para mostrar como a criatividade pode resolver situações.
Essas e várias outras idéias podem ser encontradas no menu de Dicas do FazendoVídeo. E muitas outras ainda podem ser criadas por você mesmo !
maio / 2005
Eduardo Baptista
Retornando ao tema das mídias de gravação de vídeo: embora o custo dos cartões de memória ainda seja excessivamente alto, pouco a pouco, ainda que timidamente, surgem aplicações práticas e reais dessa promissora tecnologia. Câmeras gravando em cartões de memória P2 nos formatos Mini-DV, DVCPRO e DVCPRO50 já são comercializadas pela Panasonic e espera-se para breve uma versão em DVCPRO HD. Já a JVC traz um novo modelo de sua linha Everio de pequenas câmeras Mini-DV destinadas ao público consumidor, com 3 CCDs (GZ-MC500), noticiada no site neste mês. O diferencial das Everio é gravar em uma miniatura removível de drive HD de micro, com tamanho idêntico ao de um cartão de memória CompactFlash, mas com enorme capacidade de armazenamento: 4Gb. Junte-se à essas mídias as câmeras DVDCAM da Sony gravando discos DVD-RW e a gravação direta em HDs removíveis semelhantes aos usados em laptops (como o FireStore por exemplo) e tem-se um mix diverso de apostas em novas tecnologias, além da tradicional fita magnética.
De todas essas opções, sem dúvida a mais sedutora é a do cartão de memória, principalmente por liberar a câmera dos delicados mecanismos de movimentação das fitas e discos. O Microdrive já é meio caminho andado nesse sentido, embora ainda exija soluções sofisticadas dentro da câmera para evitar que o mesmo seja afetado por trepidações à que a câmera está sujeita, além dele próprio, internamente, conter peças móveis (seu pack de microdiscos).
No campo do registro de imagens surge, também pouco a pouco e timidamente (principalmente na captura de imagens de vídeo tradicional) o chip CMOS. Relegado a segundo plano durante décadas, tem recebido nos últimos anos melhorias significativas a ponto de deixá-lo bem próximo da qualidade oferecida pelos CCDs. A grande atratividade deste chip é seu preço, graças à fabricação em larga escala ao longo desses anos principalmente como chip de memória do tipo solid state para micros. Outro atrativo é a sua implementação mais simples dentro do corpo da câmera, como mostra o novo item "CMOS" incluído no site nesta atualização, juntamente com a notícia do lançamento da DCR-PC1000 da Sony, a primeira câmera a empregar 3 CMOS ao invés de 3 CCDs.
Há quem diga que o futuro pertence ao CMOS, desbancando o CCD assim como o CCD desbancou o tubo de imagem nas câmeras (os vidicons). Seria então possível visualizar um futuro com câmeras equipadas com CMOS, utilizando cartões de memória de grande capacidade para armazenamento das imagens.
Com relação ao site, a nova seção "Roteiros de pesquisa" vem somar-se à "Artigos" incluída no início do mês de abril (conforme previsto no editorial de novembro/04) permitindo o acesso aos ítens "Informações Técnicas" através de temas correlacionados. E continuando o processo de segmentação para maior rapidez de acesso, foi efetuado o desmembramento da página "Imagem". Em breve estará também disponível o índice de Informações Técnicas por assunto (som, luz, etc...), complementando os atuais "geral" e "por inicial". Aliás, a forma mais fácil e rápida de acesso a essas e outras informações é o botão "Índice", presente em todas as páginas.
abril / 2005
Baterias, revelações e filmadoras
Eduardo Baptista
Recentemente um passageiro foi impedido de embarcar em uma companhia aérea acompanhado de sua cadeira de rodas elétrica, porque há uma norma que impede o transporte nos aviões de "cargas consideradas perigosas, como baterias líquidas que movimentam as cadeiras de rodas motorizadas". A confusão se formou independente da alegação do passageiro de que a bateria utilizada em sua cadeira era do tipo seca e, por isso, inofensiva ao vôo. O fato mostra a dificuldade de entendimento de alguns conceitos técnicos do dia a dia - caso da bateria por exemplo - por leigos no assunto (no caso, os funcionários da companhia aérea) que, por via das dúvidas, acabam generalizando esses conceitos. Em outras palavras: toma-se o que é mais conhecido - baterias empregadas em automóveis, no exemplo - como definição geral, até mesmo devido ao seu aspecto externo semelhante.
Em fotografia tem ocorrido fato semelhante: fala-se muito hoje de "revelação digital". O verbo revelar significa "tirar o véu", "descobrir". E é exatamente o que ocorre na fotografia tradicional, quando só se descobre o que ficou ou não gravado no filme após o processo de revelação, onde produtos químicos fazem desaparecer os cristais de prata até determinado grau expostos à ação da luz e outros não, formando assim a imagem (só existe imagem porque existe contraste, caso contrário haveria um quadro ou totalmente branco ou totalmente negro, para falar de foto P&B). No caso da foto digital, nada disso existe: ela está lá, prontamente "revelada" no visor da câmera assim que o botão é pressionado para gravá-la na memória. O que se pode fazer a seguir é imprimir aquela imagem em papel, do mesmo modo como fazemos com o negativo (já revelado) tradicional. Como a imagem do negativo é muito pequena, diz-se que se está fazendo uma "ampliação" da foto. A imagem digital é composta por cargas elétricas / magnéticas armazenadas nos dispositivos de memória - chips tão pequenos quanto os negativos.
O certo seria então usar "ampliação digital" e não "revelação digital". Mas, como no caso da bateria, acaba-se tomando um pelo outro e o termo incorreto torna-se cada vez mais corrente. E em videoprodução um caso clássico é o da "filmadora" ... termo usado popularmente para a "câmera de vídeo". Talvez devêssemos aceitar a convivência pacífica dos dois mundos, o popular e o técnico, desde que os envolvidos nas áreas técnicas preservassem o vocabulário correto... o que não impediria no entanto a rejeição do embarque da citada cadeira, motivada pela falta no local de um técnico conhecedor do assunto.
Neste mês, o FazendoVídeo acrescenta uma nova seção ao site, a de "Artigos" - que podem ser acessados a partir de qualquer página do setor 'Informações Técnicas" ou através do "Índice" - trazendo uma visão diferente de alguns conceitos da produção de vídeo. E continua o trabalho de melhoria no tempo de acesso aos ítens técnicos, com a segmentação dos setores "Luz" e "Formatos".
março / 2005
Eduardo Baptista
A cidade de Las Vegas presenciou, no início deste ano, a apresentação de diversos DVD players de alta definição; mais maduros agora, os protótipos mostrados na CES (Consumer Electronics Show) estão prontos para serem lançados no mercado e reeditar mais uma batalha entre grupos de fabricantes, cada qual defendendo seu formato com unhas e dentes. Estamos falando aqui dos discos ópticos Blu-ray Disc e HD DVD.
A chegada da HDTV (High Definition Television) em diversos países tem despertado o desejo, por parte de seus usuários, de poder fazer o mesmo que sempre fizeram com suas câmeras de vídeo e videocassetes: criar e assistir conteúdo próprio na tela de seus televisores, além da programação normalmente transmitida pelas emissoras. Foi visualizando esse nicho de mercado que o formato HDV (High Definition Video) de vídeo foi desenvolvido e o mesmo está ocorrendo agora com os DVDs de alta definição.
O grupo liderado pela Toshiba está por trás do HD-DVD (High Definition DVD, originalmente chamado AOD - Advanced Optical Disc), junto com a NEC, Sanyo e a Thomson. Do lado do Blu-ray o grupo de empresas, liderado pela Sony, é bem maior: Mitsubishi, Philips, Samsung, Panasonic, Pioneer, Dell, HP, Hitachi, LG Electronics, Sharp e outras. E o primeiro grupo saiu na frente, com a promessa de comercialização de drives HD-DVD para home players e PCs no último trimestre de 2005.
Ao contrário dos tradicionais CD e DVD players, que utilizam um laser de cor vermelha para fazer a leitura dos pontos microscópicos de reflexão ou não na superfície de suas trilhas, os novos discos HD (High Definition) utilizam laser azul (daí o nome do disco da Sony, embora o HD-DVD utilize também o mesmo tipo de laser). Devido ao seu menor comprimento de onda, o canhão deste tipo de raio é capaz de focar em uma área menor e assim ler e gravar pontos ainda mais microscópicos e mais próximos uns dos outros, o que se traduz em capacidade muito maior de armazenamento. E espaço é tudo o que os conteúdos HD precisam.
Na linha de produção, embora ambos tenham formato externo semelhante ao dos atuais CDs e DVDs, os HD-DVDs levam vantagem sobre os Blu-ray: sua estrutura interna é semelhante à dos atuais DVDs, um sanduíche de 2 camadas plásticas de 0,6mm de espessura no centro do disco, facilitando com isto a adaptação dos processos atuais de fabricação. O mesmo já não ocorre com o Blu-ray e sua fina camada plástica distante somente 0,1mm da superfície (um dos fatores responsáveis pela sua maior capacidade de armazenamento), entre outras características, exigindo investimento em novas linhas de produção. Os custos de fabricação terão, sem dúvida, participação importante na briga dos formatos.
HD-DVDs e Bue-rays compartilham algumas semelhanças: seus discos possuem camada simples ou dupla (como os atuais DVDs), comportam vídeo em HD dos tipos 1080i / 720p (interlaced / progressive) com conteúdo comprimido em MPEG4 ou WM9 e seus players poderão reproduzir também os tradicionais CDs e DVDs (mas não o inverso, ou seja, obviamente não poderão ser reproduzidos nos players atuais).
E possuem diferenças: a principal, a capacidade de armazenamento. Em camada simples, 15Gb (HD-DVD) e 25Gb (Blu-ray), em camada dupla 30Gb (HD-DVD) e 50Gb (Blu-ray). Pode parecer muito, mas um filme tradicional com imagem, som (diversos idiomas, DTS, Dolby) e ainda extras, etc.. pode chegar próximo dos 30Gb, lembrando a disputa VHS x Betamax, vencida pelo primeiro por, entre outros fatores, poder armazenar um filme inteiro em uma fita. Por outro lado, ao contrário do Blu-ray, o HD-DVD tem o apoio oficial do DVD-Forum. E, fato agradável aos grandes estúdios, está sendo anunciado com um mecanismo anti-pirataria em tese mais rigoroso do que o a ser empregado no Blu-ray.
Seja como for, no hemisfério Norte Hollywood já reparte o bolo: Warner, Paramount e Universal aderiram ao HD-DVD, com a promessa de lançamento de quase uma centena de títulos até o final do ano, enquanto Columbia/Tristar, Fox, MGM e Disney (e a própria Sony Pictures) apostam suas fichas no Blu-ray, prometendo títulos para o início de 2006. Não há, no entanto, total exclusividade de compromisso dos estúdios com um ou outro formato, sendo provável o lançamento de títulos em ambos. E no campo dos games, a Sony anunciou planos para colocar drives Blu-ray em seus consoles PlayStation.
Embora nossas idas à BlockBuster desde o final dos anos 90 tenham nos permitido desfrutar imagens excelentes de filmes em nossos televisores (principalmente quando comparadas às fitas VHS de aluguel), devemos lembrar que a imagem de um DVD Video ainda está distante da qualidade dos fotogramas originais das películas. E que o que HD-DVD e Blu-ray fazem é exatamente aproximar-se bastante dessas imagens - claro, desde que reproduzidos e vistos em aparelhos (players e TVs) também de alta definição.
Por falar nisso, certamente após a popularização destes discos surgirão câmeras de vídeo utilizando estas mídias. Que irão competir com câmeras utilizando circuitos de memória, então mais poderosos e baratos e com o que mais surgir em termos de armazenamento de dados. Afinal, o caminho do "mais e melhor" deverá ser seguido, como sempre o foi, desde as desajeitadas camcorders VHS.
fevereiro / 2005
O formato HDV e sua utilização atual
Eduardo Baptista
HDV (High Definition Video) não é o mesmo que HDTV (High Definition Television): os equipamentos de HDTV são muito mais custosos e sofisticados e os equipamentos e o forrmato HDV não foram concebidos para serem seus competidores. Ele é widescreen (como a HDTV) e trabalha com imagens em HD (High Definition), também como a HDTV. Mas as coincidências param por aí: os formatos VHS e Betacam também trabalham com o mesmo formato de tela (proporção 4:3), possuem a mesma resolução vertical (525 linhas, no sistema NTSC) mas tem diferentes resoluções horizontais.
O HDV começou a nascer em 2003, quando Canon, Sony, JVC e Sharp iniciaram trabalhos para criar um padrão de HD para o segmento semi-profissional e consumidor. A JVC lançou então a câmera JY-HD10U para o segmento profissional, a primeira câmera HDV a ser comercializada. Mais tarde viria a GR-HD1US, também da JVC, para o segmento semi-profissional e então a Sony com sua HDR-FX1. As duas da JVC funcionam com somente 1 CCD (do tipo CMOS) e a da Sony com 3CCDs tradicionais, responsáveis por uma melhor característica de cor, contraste e nitidez na imagem.
Seu sinal pode ser exibido em TVs comuns não HD, mas seu objetivo é exibir uma imagem 16:9 de alta resolução em TVs de alta definição (do tipo plasma, LCD, CRT, projetores, televisores DLP ou D-ILA, etc...). Em uma TV comum, as vantagens HD do HDV não aparecem. Por outro lado, TVs HDs não são todas iguais: a imagem de uma câmera HDV conectada a uma TV de plasma, de 852x480 pixels de resolução pode ficar igual a de uma câmera Mini-DV de 3 CCDs, ambas em condições ótimas na captação. Já por exemplo em uma TV rear-projection do tipo HD-ILA, a diferença de qualidade da imagem ultrapassa enormemente a da Mini-DV.
Da mesma forma que o formato DV Digital-8, criado utilizando as fitas de um formato já existente (Hi8), não existe "fita HDV" : o HDV utiliza as mesmas fitas do formato Mini-DV, inclusive com a mesma velocidade o que propicia o mesmo tempo de gravação. A etapa de edição está hoje bem preparada para enfrentar as dificuldades de manuseio do novo formato: através de plug-ins de terceiros ou soluções próprias os principais fabricantes já adaptaram seus programas para o trabalho com o HDV, existindo inclusive diversas soluções completas (turnkey) HDV.
Após ter sido editado, o material HDV pode ser utilizado para gerar DVDs; no entanto, DVDs não são a mesma coisa que HDV, ou seja, enquanto HDV é HD o DVD não é, pelo menos os DVDs que conhecemos e utilizamos hoje. Existem atualmente diversas soluções para DVDs de alta definição sendo propostas, mas a situação é mais parecida com as famosas batalhas Betamax x VHS do passado e DVD+R/-R e +RW/-RW do passado recente.
As duas soluções que mais chances possuem de se tornarem padrão são o HD-DVD (da Toshiba e NEC, também conhecido como AOD) e o Blu-Ray da Sony e Philips. Esses dois tipos de discos ópticos utilizam laser azul ao invés do tradicional vermelho, devido ao seu menor comprimento de onda, um dos fatores que determinam sua maior capacidade de armazenamento - característica exigida pelos formatos HD. O apoio de grandes empresas a um ou a outro formato, tanto da área de vídeo (JVC, Mitsubishi, Sharp) como de computação (HP, Dell), as diferenças na capacidade de armazenamento, a compatibilidade ou não com os milhões de discos DVD hoje existentes e também com os novos formatos entre si, o apoio de organizações como o DVD-Forum e de grandes estúdios de Hollywood e ainda as discussões em torno do padrão Windows Media 9 HD e de royalties envolvidos são apenas alguns dos entraves que atrasam hoje a adoção de um ou de outro formato.
Alguns softwares permitem hoje fazer a autoração de DVD-ROMs com conteúdo HD gravado com o Windows Media 9 HD, porém os mesmos só podem ser reproduzidos em micros com Windows XP, não em DVD players comuns. Outras formas de output para o conteúdo HDV editado são o Quick Time, um deck de gravação do formato DVCPRO HD e a própria câmera onde a fita foi gravada em HDV, além, é claro, da conexão direta da câmera ou micro com TVs ou projetores HD.
HDV para quem? A seguir, algumas possíveis aplicações para o formato HDV. Quem já possui HDTV operando em seu país: estas pessoas, se tiverem um aparelho de HDTV em suas casas, poderão apreciar em alta resolução as imagens gravadas em câmeras HDV. Desta forma, o HDV permite prover conteúdo para esses aparelhos, normalmente ociosos nos anos iniciais de implantação desses sistemas. Quem não tem HDTV em seu país (nosso caso) mas tem um televisor High Definition - HD de alta resolução também pode assistir imagens em alta-resolução. Com a ressalva de que nem todo televisor de tela larga é HD e dentre os que são, existem vários níveis de capacidade de exibição em alta-definição. Para TVs que utilizam os níveis mais baixos a diferença entre HDV e Mini-DV pode ser imperceptível. Outra aplicação é fazer registros para o futuro - e oferecê-los para pessoas que hoje não possuem televisores desse tipo, mas no futuro poderão tê-lo quando houver um sistema HDTV implantado no país (como eventos que eram registrados em cor quando a maioria dos televisores ainda era P&B).
Quanto ao transfer para película cinematográfica ainda o Mini-DV deve ser o escolhido, e não o HDV. Uma das razões é que o formato HDV não prevê o registro de imagens a 24qps no modo progressive scan (24p), opção existente nas câmeras topo de linha do segmento semi-profissional Panasonic DVX-100 e Canon XL2 que facilita bastante este tipo de operação. A outra razão pode ser creditada às altas taxas de compressão utilizadas no HDV, que emprega o algoritmo MPEG2 para reduzir o volume dos dados gravados, acarretando o risco potencial de problemas com artefatos de imagem (cor e definição), que podem passar desapercebidos pelo público da sala de estar em frente à TV HD, mas que são importantes em processos de qualidade como o transfer.
janeiro / 2005
O formato VHS e o disco de 78rpm
Eduardo Baptista
O ano de 2001 registrou o auge das vendas de aparelhos de videocassete (VCRs). De lá para cá, ano a ano, o formato utilizado nesses aparelhos, o VHS, vem perdendo terreno para o DVD: a partir de 2002 os DVD-players ultrapassaram em vendas os VCRs - Video Cassete Recorders. Filmes em VHS tornaram-se raros nas prateleiras dos grandes supermercados e nas locadoras vemos o espaço para essa mídia diminuído dia a dia.
Mas o que dizer das fitas VHS que todos temos em nossas casas? A maioria contém registros históricos ou programas que gostaríamos de preservar. Foram gravadas na época em que o VHS era a melhor solução - senão a única - para se fazer isso. Acontece que o mundo e a tecnologia nunca pararam e nunca vão parar de evoluir.
Em 1877, Edison fazia a primeira gravação sonora, origem dos futuros discos de vinil e em 1898, Poulsen magnetizava um fio de aço para registrar sons, origem das futuras fitas magnéticas - aliás, os primeiros gravadores magnéticos empregavam mesmo rolos de arame... Algumas décadas depois os discos de 78rpm dominavam o mercado. Vieram então os discos 45rpm e logo a seguir os de 33 1/3, os gravadores de fita em rolo e a fita cassete, o som de alta-fidelidade, o estereofônico (e também o quadrafônico, alguém lembra?), o CD-áudio, o DVD-áudio e diversos outros formatos.
No campo da imagem, na década de 30 surgia a TV P&B em vários países e vinte anos após, na de 50, a colorida (no Brasil, respectivamente na década de 50 e 70). Nessa mesma década de 70 foi criado o VHS. Mas o VHS foi apenas um entre dezenas e dezenas de formatos criados, desde os primeiros videotapes com fitas de 2 polegadas de largura até a atual fita de 6,35mm do Mini-DV. Vieram os discos ópticos, os DVD+R, DVD-R e suas variações +RW e -RW, hoje em dia convivendo pacificamente na maioria dos gravadores comercializados.
Na computação, discos flexíveis de 5 1/4 pol são hoje peça de museu, aliás, muitos micros são vendidos já sem drives para os a pouco tempo comuns disketes de 3 1/2 pol. Isso sem falar nas antigas fitas de papel, disketes de 8pol. e cartões perfurados.
Centenas de formatos para registro de informações de som, imagem e dados foram criados e tiveram vida curta, como o disco de 45rpm ou o vídeo Betamax. Outros nem saíram dos laboratórios. Existe, é claro, uma parcela deles que ganhou alguma popularidade e permaneceu em alta. Alguns menos, como o Mini-Disc da Sony (são raros ainda hoje os títulos lançados neste formato), outros mais, como os CD-R e CD-RW. E o futuro aponta para uma continuidade desse processo: discos ópticos com capacidade muito maior e, principalmente, os chips de memória. Que, naturalmente, deverão possuir diversos tipos e formatos incompatíveis uns com os outros, bem longe de alguma padronização, como, aliás, tudo sempre foi.
Isso tudo mostra que registramos nossas imagens em mídias que nascem e morrem após um determinado tempo. E que se quisermos manter esses registros teremos de copiá-los das mídias antigas para as atuais. É comum trocar-se de micro e esquecer-se dos dados gravados em disketes antigos que agora já não podem mais serem lidos no novo equipamento. No campo da imagem, gravadores de DVD passam a ocupar, na sala, o lugar do antigo VCR, com inúmeras vantagens. Mas... e as antigas fitas VHS guardadas?
Especialistas estimam que após 10 anos existe grande probabilidade de suas imagens estarem deterioradas. Ou até antes disso, dependendo de condições como armazenamento, qualidade da gravação, etc... Essas imagens podem hoje ser preservadas em DVDs, até mesmo com uma simples cópia caseira do VCR para o gravador de DVD ou em bureaus especializados nesse tipo de serviço. Durante quanto tempo? Provavelmente menos do que a durabilidade dos DVDs: os novos formatos vem surgindo com velocidade bem maior do que antigamente. Não copiar nossas fitas VHS vai-nos deixar em poucos anos na mesma situação daquele sujeito que procura uma vitrola que funcione a 78rpm para copiar discos antigos de vinil. Algo cada vez mais próprio de uma feira de antiguidades.
Eduardo Baptista é o editor do site FazendoVídeo